na hora do café: a esplanada

A esplanada estava deserta. Ela, a mulher, sustinha entre as mãos o livro que desfolhava sem pressas. De quando em vez observava os transeuntes que, também sem pressa, se cruzavam ante seus olhos. Parava a leitura. Ficava longe. Do lado ausente chegavam-lhe memórias - tão cheia de memórias - dias passados frente ao mar, em longas caminhadas solitárias. O tempo em que o corpo pedida a urgência da forma. O farol ao longe guiava o caminho das realidades presentes. Os instantes das manhãs límpidas e dos dias largos sorriam desfolhando-se, como o livro, no rápido compasso dos passos, a um tempo já passado. Memórias evocando a nostalgia da claridade.
t.b.
04 Setembro, 2010

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