quinta-feira, 7 de outubro de 2010

não era o mar que me mantinha presa


não era o mar que me mantinha presa
nem o rio das margens limitadas
era a alma que chorava baixinho
na incapacidade de parar a nascente
que via surgir em ti
levando no seu braçado
teu olhar calmo e seguro.
agora
duas estrelas faiscavam em vez de olhos
saltavam-te as palavras sôfregas da garganta
atropeladas, atropelavam-se
e eu, cega, surda,
não entendia.
tão longe estava de mim
perdida do tempo
das paixões avassaladoras
do crepitar dos corpos
das almas livres
esvoaçantes.

Esquecera-me que era tanto...
que o céu era finito
que um sorriso era bastante
para atravessar o mar.

.....

evoquei-me no teu olhar.

t.b.
28 Julho, 2010

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