quarta-feira, 13 de outubro de 2010

Nina Simone - The look of love

terça-feira, 12 de outubro de 2010

em devaneios pela robustez da Alma


eram as traves longas, verticais

que escondiam o sol.

barrotes mantinham presa

a sua alma, pois outros arpões

não eram.

deambulante sonhava ela

o mundo dos ventos e das rotas,

o clamor da vida adivinhada

nos olhos em devaneiros

pela robustez do tempo.

baluarte de vida o sonho

teimava resgatar o sol.


as traves soçobraram

quando a sua alma

em sortilégios de cores

soltou amarras rumando

na direcção do horizonte


dos ventos, desa rotas...



t.b.

18 Setembro, 2010

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domingo, 10 de outubro de 2010

tela oblíqua



na madrugada lenta
os tons confundem-se
e a lua, rasgando sombras,
desenha a silhueta dela
num chão de lajes e luar.
a imagem permanece
muda.


turva-se o chão em sobressalto
fundem-se cores no silêncio branco.
cúmplice, a lua prepara a ausência
e a aurora anuncia-se na sombra
projectando os primeiros raios
do amanhecer.

em traços rápidos o pincel líquido
esbate a imagem na tela

obliquando caminhos.


t.b.

06 Setembro, 2010


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quinta-feira, 7 de outubro de 2010

cântico de liberdade


ela estranhou-se

quando procurou o outro olhar

e não o viu

quando procurou outros braços

e encontrou os seus

quando procurou sentir a mão

táctil no seu corpo

e não sentiu.

reflectiu. fechou os olhos.

no seu verso

tentou os seus sentidos

achou-os sós

sem saudade nem ausência.

cheirou a sua pele:

era o odor da sua pele

perscrutou as suas veias:

eram só as suas veias

e corriam leves, puras, cristalinas

apaziguando o corpo.

desconheceu a metamorfose.

abriu os olhos

não havia mais ninguém

a não ser ela e um céu azul e branco.



sentindo-se cântico de liberdade

voou!



t.b.
06 Setembro, 2010

na hora do café: a esplanada


A esplanada estava deserta. Ela, a mulher, sustinha entre as mãos o livro que desfolhava sem pressas. De quando em vez observava os transeuntes que, também sem pressa, se cruzavam ante seus olhos. Parava a leitura. Ficava longe. Do lado ausente chegavam-lhe memórias - tão cheia de memórias - dias passados frente ao mar, em longas caminhadas solitárias. O tempo em que o corpo pedida a urgência da forma. O farol ao longe guiava o caminho das realidades presentes. Os instantes das manhãs límpidas e dos dias largos sorriam desfolhando-se, como o livro, no rápido compasso dos passos, a um tempo já passado. Memórias evocando a nostalgia da claridade.


t.b.
04 Setembro, 2010

mão arbitrária


a mão displicente, longitudinal,

a mão que acaricia e afaga,

aquela que abrange o mundo

e com seus dedos brinca e enrola

línguas de fogo,

a mesma mão que se consome em ti

está agora queda, muda, tisnada.

prende com os dedos um cigarro

e presenteia-se com o seu cheiro

queimado, gasto,

farto.



o fumo

desenha sonhos arbitrários.


t.b
29 Agosto, 2010

lisura


Registo o teu rosto na memória

dos dias que não foram nossos.

em pinceladas vagas desenho-te

sem limite nem fundo

e perco-me em delírios

de cor.



Sonhar-te é ficar no silêncio

Das manhãs claras.



Expectante de madrugadas ciciadas

A alma tem a lisura da paz.


t.b.
28 Agosto, 2010

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