quinta-feira, 7 de outubro de 2010

...numa mão de areia...


Era a praia que se esticava numa mão de areia. O corpo sentido, sentia os raios de sol na pele quente, em tarde de estio. Ouvia-se o murmúrio das águas segredando palavras indizíveis, numa voz de mar plena de marés. Mas o timbre era oceânico, vagamente conhecido como conhecidas as pequenas vagas que assolavam o corpo de sorrisos largos e olhar perdido. Era o tempo do descanso das rotinas. A vida, aqui e agora, chamava clamorosamente. Ou seria o mar e os viajantes das profundezas.... As palavras, essas, eram a magia convidando corpos ao mergulho. E confundiam-se e fundiam-se em sincopada dança de marinheiros e sereias. Soprava, de quando em vez, uma leve brisa fresca como um amanhecer inacabado. Era o paraíso, e eu não sabia que existia outro nome. Não sabia que as ondas eram cúmplices. Não sabia nada, perdida de mim na imensidão de um céu azul entrecortado pelas gaivotas e de um mar largo tão cristalino, límpido...tão verde! E a praia esticava-se numa mão de areia...

t.b.
19 Agosto, 2010

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