cântico de liberdade

ela estranhou-se
quando procurou o outro olhar
e não o viu
quando procurou outros braços
e encontrou os seus
quando procurou sentir a mão
táctil no seu corpo
e não sentiu.
reflectiu. fechou os olhos.
no seu verso
tentou os seus sentidos
achou-os sós
sem saudade nem ausência.
cheirou a sua pele:
era o odor da sua pele
perscrutou as suas veias:
eram só as suas veias
e corriam leves, puras, cristalinas
apaziguando o corpo.
desconheceu a metamorfose.
abriu os olhos
não havia mais ninguém
a não ser ela e um céu azul e branco.
sentindo-se cântico de liberdade
voou!
t.b.
06 Setembro, 2010

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