um dia talvez

saem-me letras pelos dedos
e com elas tento versos
despretensiosa e cálida
escrevo o que me dita a essência
sem obscurecer letras nem palavras
e sem procurar sentidos exactos.
sou assim.
corre-me o pensamento
como brisa de Primavera
e com ela voo em direcção
à profundez do oceano:
solto e confuso, revolto e calmo.
perco-me nesse emaranhado
de insensatez, onde o tempo
há muito perdeu a cor habitual
ou passou tão depressa
que me levou com ele.
vivo na margem desse mundo
um dia perguntar-te-ei por mim
e não me saberás responder
porque andarei algures à procura
da minha parte ausente.
mas, se por acaso me encontrares
diz-me quem eu sou.
eu
talvez não me reconheça
t.b.
18 Maio, 2010

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