quinta-feira, 7 de outubro de 2010

do silêncio


Repara: é o silêncio. Aquele onde não cabem as palavras
e o vento sopra devagar na sala. É o respirar.
Repara no sofá de ondas mansas.
Sobre o sofá, um fundo de magnólias.
Na sala de paredes vazia, o calor flui calmamente
dos corpos plenos de marés. Doces como amoras
brotaram do silêncio de um dia qualquer.
Repara na soma ou multiplicação de resultado ou produto errado.
A aritmética não existe nos sentidos. Apenas existem sentidos
na geometria dos corpos.
O silêncio é branco e através dele
irrompem perfis.

O silêncio murmura
fulgurante.

t.b.
31 Janeiro, 2010

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