quinta-feira, 7 de outubro de 2010

senti-me num sorriso


O vento musicava. a madrugada cobria-se de sons. os ramos das árvores
balançavam como batutas nas mãos do maestro. as folhas,
bailarinas contemporâneas
desenhavam formas no espaço limitado.
era madrugada alta. no meu quarto, a poente
o silêncio era soberano. acordei. foi o vento ou o silêncio.
já nem sei. não tem importância.
acordei saída de uma barca
talvez de sonhos. estiquei os braços e procurei-me.
encontrei-me espalhada numa cama vazia de outros braços, mas tão cheia de mim.
não me encontrei vazia.
apesar do vento, do escuro e do silêncio,
a minha cama continuava quente
e ainda que vazia de outros braços, estava cheia de silêncios e murmúrios do meu corpo.

fechei os olhos e senti-me num sorriso.

t.b.
16 Fevereiro, 2010

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